Que tal R$420 mi ao fazer 60 anos?
19/10/2009 :.
Pais podem ajudar na aposentadoria dos filhos fazendo aplicações desde já. A mais rentável é a bolsa de valores
Nasce o bebê. Orgulhoso, o casal decide fazer uma aplicação de R$ 1 mil em seu nome que, no futuro, vai permitir pagar a faculdade, comprar um carro ou viajar para o exterior. Todo mês, deposita R$ 100 na bolsa de valores. A aplicação só será revelada quando o filho completar 18 anos. Ao atingir a maioridade, ele descobre ser dono de uma carteira de ações avaliada em R$ 193 mil. O jovem, em vez de torrar a grana dos pais, contraria todas as expectativas e decide deixar o dinheiro aplicado. E tem mais. Mantém o compromisso de comprar, religiosamente, R$ 100 mensais em papéis. Quando se aposentar, aos 60 anos, ele terá inacreditáveis R$ 420 milhões no bolso, se não houver nenhum revertério no mercado de ações.
“Por que ninguém nunca chega a esse valor? Porque é difícil demais poupar. As pessoas não têm disciplina para depositar o dinheiro todo mês e tendem a sacar o valor antes da hora”, afirma Eduardo Glitz, diretor da corretora gaúcha XP Investimentos.
“Em 2008, tivemos uma desvalorização de 40% nos papéis, mas este ano já chegamos a uma alta de 70%. Ainda não chegamos ao pico de 72 mil pontos, mas já atingimos 66 mil pontos”, compara Glitz. “Houve anos em que a bolsa se valorizou 100% e já tivemos perda de 40%. Mas a taxa média de retorno é de 20%”, garante. Quem abrir uma caderneta de poupança de R$ 1 mil para o bebê do nosso exemplo e depositar R$ 100 por mês vai presenteá-lo com R$ 40,9 mil ao fim de 18 anos. A mesma quantia vai fornecer o fundo de renda fixa, que está rendendo 6% ao ano, em média. Se o mesmo valor for investido em um plano de previdência privada misto, a 10% ao ano, o jovem terá acesso a R$ 62 mil no mesmo período, cerca de uma vez e meia o montante anterior. Se aplicar em ações, irá multiplicar os ganhos por quase cinco, chegando a R$ 193 mil em 18 anos. Isso se não ocorrer uma terceira ou quarta quebra da bolsa no ano em que o jovem atingir a maioridade. Não é preciso confiar 100% na bolsa de valores ou na aposentadoria privada, mas também não dá para deixar o dinheiro parado na renda fixa, como antes.
DIVERSIFICAÇÃO “Diversificar os investimentos é o mais interessante, separando uma parte para a renda variável, começando com uns 20% do total. O ideal é que se faça isso com tranquilidade, pois ainda estamos entre os 10 países com os juros mais altos do mundo”, defende o consultor de finanças Paulo Vieira. Segundo ele, é preciso avaliar qual é o seu grau de tolerância ao risco. “Para os mais velhos, a poupança passa um entendimento maior e ele não pode se submeter a riscos muito alto”, completa.
Cada um busca o seu caminho.. O contador José Moreira de Almeida, de 48 anos, paga há quase 10 anos um plano de previdência privada para ele próprio e, a partir deste ano, acertou mais dois contratos – contemplando os filhos Vítor, de 11 anos, e Pedro, de 3 anos. Deposita R$ 300 para um e R$ 160 mensais para o outro, de tal forma que, ao completarem 20 anos, os dois terão o mesmo valor na conta. “Eles já sabem da poupança e acham legal”, revela. “Fiz todos os estudos e achei que o melhor para o meu perfil era a previdência privada a longo prazo. Na poupança, a tentação de sacar é maior e a rentabilidade é mínima”, conclui.
Fonte: Jornal Estado de Minas (19.10.09)