Palavra-chave: QUALIFICAÇÃO
12/07/2009 :.
MÁRCIA MARIA CRUZ EMARTA VIEIRA
:. O esforço do trabalhador para melhorar a sua formação escolar e o investimento na qualificação profisional se refletiram na queda sistemática do tempo de procura por trabalho nos últimos dois anos. De acordo com levantamento do Dieese, a busca por emprego consumiu 45 semanas, em média, no ano passado (cerca de 10 meses) na Grande BH, frente às 52 semanas verificadas em 2007, ou seja, ao redor de dois meses a mais. Até então, a luta pela recolocação no mercado de trabalho piorava desde meados da década de 1990, levando todo o país a uma realidade perversa do chamado desemprego de longa duração. O período mais difícil foi 2004, quando a batalha estacionou em 65 semanas, quer dizer, um ano e três meses. Ainda assim, o recuo mais recente da estatística não serve de motivo para comemoração. Em 1996, primeiro ano da pesquisa feita no entorno da capital mineira, o tempo de procura ainda era menor, de 32 semanas (aproximadamente sete meses e meio) na comparação com o de 2008.
Os pais têm razão quando insistem para que os filhos estudem. A preocupação retrata as exigências do mercado de trabalho. Como sabem que quem não é qualificado está fora do jogo, os irmãos Lucinete da Silva Oliveira, de 34 anos, e Ozeias Soares, de 22, melhoram a formação para voltar à ativa. Depois de bater à porta de vários empregadores em busca de uma vaga, os dois sabem que não há outro caminho senão a qualificação. Na última quinta-feira, Lucinete, Ozeias e Maria Barbosa Lúcia procuraram, como outras centenas de pessoas desempregadas, oCentro de Solidariedade ao Trabalhador (CSAT/Sine Barro Preto) em busca de uma vaga.
“Somente hoje, já entreguei 30 currículos e estou com mais 10 para serem distribuídos”, disse Maria Barbosa, desempregada há três meses. A psicóloga Eugênia Cardoso dos Santos, especialista em recursos humanos da instituição, reforça que, quanto mais preparado for o profissional, maior será a sua empregabilidade. “O jeito é se qualificar e ter uma boa rede de relacionamentos”, aconselha.
A boa notícia é que existem vários cursos de qualificação com inscrições abertas. O governo de Minas Gerais reservou R$ 10 milhões em orçamento para os programas de treinamento este ano, R$ 1 milhão a mais que em 2008, quando os recursos não chegaram a ser totalmente aplicados, segundo Fernando Sette, subsecretário de Trabalho, Emprego e Renda. “A nossa preocupação é programar toda a grade de cursos de qualificação ajustada às necessidades das empresas”, afirma. Há uma série de opções, de formação na área de transporte especializado, passando pela construção civil, a especialidades como o de técnicos em manutenção de máquinas de costura para abastecer um setor de peso da economia mineira.
A pessoa que está desempregada deve dar preferência aos programas de qualificação que têm parcerias com as empresas, para não correr o risco de se qualificar e não conseguir uma vaga. Lucinete, por exemplo,embora tenha feito cursos de auxiliar de departamento pessoal, não consegue atuar na área. “Minha carteira foi assinada como faxineira e por isso não me dão oportunidade para mostrar outras coisas que sei fazer. Não tenho é um tempo maior de experiência”, reclama.
Entre as pessoas que estão desempregadas, é comum a dificuldade de encontrar tempo para se qualificar. “Como fiquei muito tempo sem trabalho, devido à falta de formação, não abro mão do estudo. Minha prioridade, atualmente, é estudar, já que é uma exigência em todos os lugares”, afirma Lucinete, que voltou a estudar. Ela está no 1º ano do ensino médio. A exemplo da irmã, Ozeias aposta na qualificação como porta
de entrada para o mercado de trabalho. Com formação de nível médio, o jovem está há seis meses sem trabalhar. “Vou correr atrás para conseguir alguma coisa na área administrativa. Senão, vou fazer um curso técnico para arranjar emprego. Depois, vou tentar uma faculdade”, conta.
De janeiro a maio, cerca de 4,5 mil pessoas freqüentaram as salas de aula em todo o estado e a meta é mais ousada, de alcançar 20 mil alunos no balanço do ano. Em 2008,17 mil trabalhadores receberam o diploma nos cursos de qualificação patrocinados pelo estado, que beneficiaram 88 municípios. Esse número deve crescer bastante até dezembro, para atender 200 cidades.
Dois programas da Prefeitura de BeloHorizonte, o Plano Setorial de Qualificação na Área da Construção Civil (Planseq) e o Programa Municipal de Qualificação, oferecem cerca de 38 mil vagas. No CSAT/Sine Barro Preto são ofertados, regularmente, os cursos de montagem e manutenção de microcomputadores; informática básica e digitação e competências básicas para o trabalho (uma espécie de guia de orientações para quem busca emprego).
O Programa Municipal de Qualificação abrirá, este ano, 30 mil vagas para cursos, como auxiliar administrativo, auxiliar de escritório, cozinheiro internacional, saladeiro, padeiro, confeiteiro, manicure, esteticista, entre outros. Além de serem gratuitos, os cursos também oferecem o material didático. Na área da construção civil, o Plano Setorial de Qualificação na Área de Construção Civil (Planseq) oferece 7.044 vagas de carpinteiro, armador, pintor de parede, pedreiro de acabamento.
Fonte: Estado de Minas (12.07.09)