13º injetará R$ 7,5 bi em MG
11/11/2009 :.
Mais dinheiro: Além do benefício, R$ 180 mi da restituição do IR vão movimentar a economia do Estado, os mineiros vão receber em média R$ 928, 4,6% a mais que em 2008
Até o fim do ano, 70 milhões de brasileiros irão receber R$ 85 bilhões do pagamento das duas parcelas do 13º salário, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Cerca de 9% deste total, ou seja, R$ 7,5 bilhões, serão pagos aos mineiros. O número de pessoas que receberá o benefício é 2,8% superior do que em 2008. Além deste valor, a economia mineira ainda irá receber outros R$ 180 milhões até o dia 16 deste mês, referentes ao megalote do Imposto de Renda liberado pela Receita Federal. No total serão R$ 7,7 bilhões a mais circulando em Minas.
Segundo estimativas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), só a capital deve receber R$ 2,1 bilhões com a gratificação.
O valor médio do 13º salário pago no Estado será de R$ 928, um aumento de 4,6% em relação a 2008. O total a ser pago representa 2,8% do PIB do Estado. De acordo a economista e supervisora regional do Dieese, Maria de Fátima Lage Guerra, o aumento se justifica principalmente pelo crescimento da remuneração média. "Neste ano, o número de trabalhadores no mercado formal caiu de 4,6 milhões para 4,51 milhões de pessoas, por causa da crise. Mas em contrapartida o ganho foi maior", avalia.
Os empregados do mercado formal representam 60% dos trabalhadores que receberão o benefício, enquanto pensionistas e aposentados do INSS equivalem a 40%. Do montante a ser pago em Minas Gerais, 69%, ou seja, R$ 5,2 bilhões, serão destinados aos empregados formalizados, 24% aos beneficiários do INSS, 7% aos aposentados e pensionistas do Estado do regime próprio e, para os empregados domésticos, serão R$ 113 milhões.
Neste ano, a pesquisa aponta pela primeira vez os setores da economia brasileira que mais irão pagar o benefício. No Brasil, o setor de serviços lidera (60,5%), seguido de indústria (21%), comerciários (12%), construção civil (4,3%) e trabalhadores da agropecuária (2,1%). O maior 13º salário será pago para quem trabalha com serviços R$ 1.632.
Metodologia. Os dados não consideram os trabalhadores autônomos e assalariados sem carteira assinada que recebem algum tipo de abono nesta época, nem os valores desses possíveis abonos. O Dieese leva em conta dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Também foram consideradas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e informações do Ministério da Previdência e Assistência Social e da Secretaria Nacional do Tesouro.
Para onde vai
Presentes ganham espaço, mas dívida é principal destino
Neste ano o consumidor está mais disposto a gastar no Natal. Segundo pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), 17% dos entrevistados vão usar parte da gratificação para comprar presentes – 13% a mais do que no ano passado. Mas o pagamento de dívidas continua sendo a prioridade para a maioria, indicada por 64% dos entrevistados – 6% a mais do que em 2008.
A aposentada Maria das Graças de Castro, 65, está no meio do caminho, a posição aconselhada pelos especialistas em finanças. “Só uso uma parte com presentes, pois a gente ganha mais em dezembro, mas em janeiro gasta dobrado”, conta ela, que guarda o resto na poupança.
A vendedora Eliana Eustáquia, 27, também ficará no meio a meio. “Eu preciso pagar algumas dívidas, mas vou usar metade do 13º para comprar pelo menos um presente para minha filha e um para o meu marido”, destaca Eliana.
A economista da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos, avalia que as vendas neste Natal serão até 7% superiores. “No ano passado, por causa da crise, as pessoas não compraram tanto e a insegurança foi grande. Neste Natal, apostamos que os consumidores vão às compras e a expectativa é de que, em Belo Horizonte, o 13º injete R$ 2,1 bilhões nas ruas”, diz.
Fonte: Jornal O Tempo (11.11.09)