Fazendo o dever de casa
05/11/2009 :.
Indicadores econômicos recentes mostram que o país está, definitivamente, no caminho do crescimento econômico sustentável. Consumo familiar deve manter rota da recuperação
Crédito às empresas volta ao normal, estrangeiros investem mais no país, venda de veículos cresce mesmo com o retorno do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), cesta básica está mais barata na maioria das capitais, lucros de bancos privados caem na comparação com trimestres anteriores. Que país é esse? É o Brasil, que mostra sinais não só de recuperação da rasteira que levou com a crise econômica mundial como também de crescimento sustentado.
“A queda dos juros começa a chegar à ponta. Isso estimula o consumo, mas reduz o ganho dos bancos com as aplicações financeiras. Assim, podemos falar que estamos em um período de transição entre a recuperação e o crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 vai fechar em torno de 1%, mas em ritmo de 5%”, afirmou o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. Leonardo Santos, da agência de classificação de risco Austin Rating, projeta avanço de 1,4% para o PIB. “Estamos otimistas”, disse, apostando que o aumento do consumo das famílias vai assegurar o crescimento.
O número das vendas de veículos é um exemplo. Em outubro, foram emplacadas 294.442 unidades, baixa de 4,62% na comparação com setembro de 2009, mês em que ainda havia redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Mas, em comparação com outubro do ano passado, a alta foi de 23,03% nas vendas, segundo dados divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O otimismo do consumidor chega às empresas que querem mais crédito. E elas voltam a ter, de acordo com pesquisa apresentada também ontem pela Serasa Experian. O crédito para as empresas avançou 0,8% em setembro, a oitava alta consecutiva, atingindo R$ 93 bilhões, e deve estar completamente normalizado em seis meses.
Para a pesquisadora do Centro de Estudos de Conjuntura e professora do Instituto de Economia da Unicamp, Maryse Farhi, os indicadores mostram que a crise foi bem menos grave no Brasil.. “Teve um período que achamos que a crise teria derrubado o país. Foi quando os bancos pararam de dar crédito e a economia empacou. A atuação decisiva dos bancos públicos provocou a reação. Resta saber, agora, se é uma recuperação que anda com as próprias pernas”, avaliou.
Até mesmo os investidores estrangeiros querem tirar proveito do bom momento econômico brasileiro. O Banco Central (BC) informou que o fluxo cambial em outubro registrou ingresso líquido de US$ 14,6 bilhões, o maior desde junho de 2007. O apetite não é apenas dos “especuladores”. A demanda dos consumidores estrangeiros já gera resultados positivos para o país e, em especial, para Minas Gerais, berço de commodities.. Pelo terceiro mês consecutivo, as exportações mineiras cresceram e apresentaram, em outubro, o melhor desempenho no ano. Com expansão de 0,2% em relação a setembro de 2009, alcançaram US$ 1,874 bilhão, em função do maior embarque de ouro, soja e açúcar, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
E a inflação ainda não é preocupação, na visão do diretor-adjunto da Fundação Ipead/UFMG, Wanderley Ramalho. Pesquisa divulgada ontem revelou que o custo da cesta básica de Belo Horizonte em outubro foi de R$ 228,17, alta de 1,32% em relação a setembro e de 0,07% no acumulado no ano. “É um aumento normal”, explicou. O estudo mostrou ainda que Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,30% de setembro para outubro, 3,55% no ano e 4,39% nos últimos 12 meses, ficando abaixo do centro da meta de 4,5% ao ano.
Luzes no fim do túnel
Dados que confirmam a retomada sustentável
Custo da cesta básica de Belo Horizonte
R$ 228,17 em outubro. Aumento de somente 1,32% em relação a setembro e de 0,07% no acumulado do ano
Inflação
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de BH ficou em 0,3% em outubro, 3,55% no ano e 4,39% nos últimos 12 meses. Está abaixo da meta, de 4,5%.
Crédito às empresas
Cresceu 0,8% em setembro, oitava alta seguida
Venda de veículos
294.442 mil unidades em outubro. Queda de 4,6% em comparação com setembro, mas expansão de 23% sobre outubro de 2008
Fluxo cambial
Ingresso líquido de US$ 14,6 bilhões em outubro, maior valor desde junho de 2007
Exportações mineiras
US$ 1,87 bilhão em outubro, ampliação de 0,2% em relação a setembro
Fonte: Jornal Estado de Minas (05.11.09)