Resultado
dos acordos salariais supera 2008
Até maio, 96% das categorias têm reposição
da inflação ou ganho real
29/06/09 - A quase totalidade dos acordos salariais negociados de
janeiro a maio deste ano resultou em reajuste igual ou superior à
inflação. Apesar dos efeitos recessivos da crise financeira
global, o resultado foi melhor que o registrado em igual período
de 2008.
Levantamento
divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indica que 96% das categorias
profissionais com data-base nesse período conseguiram reposição
da inflação ou aumento real de salário. No ano
passado, esse porcentual foi de 89%.
A análise foi feita com base no resultado das negociações
salariais de 100 categorias, nos três setores da economia (indústria,
comércio e serviços) de todo o Brasil.
Para
José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de Relações
Sindicais do Dieese, o bom resultado das negociações
este ano se deve em grande medida à inflação
baixa, na casa de 5%, e em trajetória de queda.
"No primeiro semestre do ano passado, a inflação
também era baixa, porém ascendente", comparou.
Oliveira relatou que, desde 2003, sempre que a inflação
regrediu, os ganhos conquistados pelos trabalhadores foram maiores.
Segundo ele, o aumento real (acima da inflação) do valor
do salário mínimo também contribuiu para o bom
desempenho das negociações até agora."O
salário mínimo serve de referência para o reajuste
de muitas categorias cujo piso salarial é muito próximo
do mínimo", explicou Oliveira.
Por outro lado, o levantamento mostrou que o porcentual de ganho real
dos salários diminuiu em relação ao ano passado.
Em 2008, 50% dos acordos garantiram ganho real entre 0,51% e 2% acima
da inflação. Neste ano, essa proporção
caiu para 36%.
Já
a participação das categorias com ganhos de até
0,5% acima da inflação aumentou de 15%, em 2008, para
25% este ano. Uma minoria de 3% das categorias conseguiu aumento acima
de 5% além da inflação.
O levantamento do Dieese constatou que 78% dos acordos analisados
resultaram em aumento real de salário, praticamente repetindo
o desempenho do ano passado (77%). O que aumentou foi o número
de acordos que asseguraram pelo menos a recomposição
das perdas ocorridas desde o último reajusta. Passou de 12%,
em 2008, para 18%, agora.
AJUSTE PELO EMPREGO
Para Oliveira, o fato de a crise pouco ter influenciado nas negociações
salariais reforça as análises de que o ajuste das empresas
ocorreu principalmente pelo expediente da demissão de trabalhadores,
e não pelo achatamento dos salários das categorias.
"As demissões ocorreram principalmente no setor industrial,
que foi o mais afetado pela crise de crédito."
O setor de serviços foi o que apresentou o melhor desempenho
nas negociações deste ano. O porcentual de categorias
com perdas salariais foi reduzido de 14% para 4%, enquanto a proporção
das que conquistaram aumentos reais subiu de 71% para 78%.
Fonte:
O Estado de São Paulo (29.06.09)