O
quebra-cabeça sindical brasileiro
Migração
para novas centrais leva CUT a perder
o equivalente a 21% das entidades filiadas
29/06/09 - Filiado à Central Única dos Trabalhadores
desde a década de 80, o Sindicato dos Metalúrgicos do
Rio de Janeiro decidiu, no fim de semana dos dias 20 e 21 de junho,
em seu 8º congresso, se desfiliar da central e aderir à
outra, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB),
braço sindical do PCdoB. No mesmo fim de semana, era concluída
a apuração da votação que elegeu uma nova
diretoria colegiada para o Sindicato Estadual dos Profissionais da
Educação do Rio de Janeiro, uma das entidades mais numerosas
do funcionalismo público estadual, com quase 60 mil filiados.
Os servidores da educação pública fluminense
elegeram, para a direção do SEPE-RJ, uma maioria de
70% formada por chapas da Intersindical, agrupamento ligado ao PSOL,
e Conlutas, central que mantém estreitas relações
com o PSTU, deixando a chapa da CUT e outros grupos com apenas 30%
dos votos. Desde 2006 o SEPE-RJ não é mais filiado à
CUT.
Os dois exemplos do Rio de Janeiro ilustram, à nível
estadual, o processo de transformação pelo qual passa
o sindicalismo brasileiro em todo o país. Longe dos corredores
do Congresso Nacional, dos elegantes gabinetes ministeriais e dos
requintados restaurantes da área central de Brasília,
uma disputa política tão feroz quanto a que costuma
se desenrolar nestes espaços de negociação tradicionais
da grande política nacional, porém menos regada a coquetéis
e canapés e mais a suor, panfletos baratos e carros de som
distorcido, é travada.
CUT e Força Sindical, outrora detentoras de virtual oligopólio
sobre o movimento sindical do país, hoje são forçadas
a enfrentar a concorrência de centrais novas criadas a partir
de 2005, a maioria delas umbilicalmente ligadas a partidos políticos
de esquerda (veja quadro). A situação é ainda
pior para os cutistas, tendo em vista que o surgimento e o crescimento
dessas novas centrais têm se dado, em grande medida, às
custas de sindicatos que um dia cerraram fileiras com a poderosa central
que alçou à política nacional o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Levando-se em conta apenas os dados oficiais do Ministério
do Trabalho e Emprego, só a CTB e a Conlutas, formadas quase
que em sua totalidade por entidades que até poucos anos atrás
integravam a estrutura cutista, somam 351 sindicatos filiados. Para
se ter uma ideia do golpe dado pela criação das novas
centrais na CUT, o número equivale a 21% do total de sindicatos
que hoje pertencem à central (1.670). O rombo é ainda
maior se contabilizados os sindicatos que hoje pertencem à
Intersindical, formalmente não reconhecida como central.
As rupturas, na sua maioria, são alimentadas por divergências
na condução administrativa da CUT e por críticas
à proximidade que a central, controlada pelo PT, mantém
com o governo federal.
– O que nos levou a optar pela criação da nova
central foi fazer com que nossas propostas para o sindicalismo brasileiro
ganhassem visibilidade, já que na CUT eram nos repassadas sempre
secretarias de menor porte – explica Wagner Gomes, presidente
da CTB e do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.
Antes da criação da própria central, o PCdoB
atuava dentro da CUT como a Corrente Sindical Classista. O grupo participou
da central de 1991 a 2006. O próprio Gomes foi, por três
mandatos, vice-presidente da CUT, chegando até mesmo à
ocupar a presidência da central, de maneira interina, quando
o então presidente, Luiz Marinho, deixou o cargo para assumir
o Ministério do Trabalho. – Enquanto tudo se resumia
à CUT e Força Sindical, permanecemos na CUT. Mas, com
a criação de todas essas outras centrais, entendemos
que era hora de buscar o próprio espaço.
Fonte:
Jornal do Brasil (29.06.09)