Renda
dos trabalhadores cai pelo 4º mês consecutivo
26/06/09 - A renda real dos trabalhadores registrou em maio a quarta
queda consecutiva em comparação ao mês anterior,
mas continuou em trajetória de alta em relação
a 2008. Entre especialistas, há os que alertam para a desaceleração
no aumento da massa salarial (soma dos ocupados e da renda) e os que
consideram os dados do rendimento um novo combustível para
o consumo.
O gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo, disse que
a queda de 1,1% no rendimento médio real dos trabalhadores
em maio ante abril foi provocada “em parte pela inflação”
e foi registrada especialmente nas camadas com renda mais alta.
O chamado rendimento mediano (que contabiliza a camada do meio da
renda total, situada entre os rendimentos 50% mais altos e os 50%
mais baixos) foi de R$ 782 em maio, com alta de 3,7% ante abril. “Isso
mostra que a perda se deu na faixa dos que ganham mais, o que tem
a ver com a queda no emprego em segmentos que pagam melhores salários”,
disse Azeredo. Em maio, para o total dos ocupados, o rendimento médio
real foi de R$ 1.311,70. Na comparação com maio de 2008,
a renda ainda está 3% mais alta.
A analista da Tendências Consultoria, Ariadne Vitoriano, contabilizou
uma queda de 1,0% na massa salarial em abril ante maio o que, segundo
ela, “indica desaceleração do consumo no curto
prazo”. Ela ressalta que em relação a maio de
2008 a massa ainda mostra expansão, mas “segue em trajetória
de desaceleração”.
Ainda de acordo com Ariadne, o enfraquecimento da massa de renda já
era esperado, já que os reajustes salariais devem ser menores
neste ano em decorrência do enfraquecimento da atividade doméstica.
O economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano,
ressaltou a expansão em relação ao mesmo período
do ano passado.
“Em relação ao ano passado, houve uma ligeira
melhoria no número de ocupados e uma variação
positiva de rendimento. A massa salarial se expandiu”, afirmou..
“No primeiro trimestre, foi a massa salarial que sustentou a
atividade econômica. Agora, esse ritmo de crescimento está
mais comedido, mas ainda há uma expansão.”
Fonte:
O Estado de São Paulo (26.06.09)